Desemprego no Brasil

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Luiz Henrique Michelato

Professor, Escritor, Pesquisador, Psicopedagogo e Assistente Social

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Jandaia do Sul, PR, Brasil

22 de março de 2024

 

Como solucionar essa profunda celeuma no Brasil? Atualmente o Brasil possui cerca de 12 milhões de pessoas desempregadas e desalentadas, segundo dados do IBGE (2023). Algo muito preocupante, tendo em vista nossa nação estar pautada por uma carta magna promulgada em 1988 e que prevê o tão “sonhado” Estado Democrático de Direito, e que nunca aconteceu neste país. Problematizando a questão: desempregados são aquelas pessoas que continuam a “saga” em busca de um emprego formal, com carteira assinada, peregrinando pelas agências do trabalhador e na entrega de currículos nas mais diversas empresas. Já os desalentados são aqueles que já desistiram dessa luta e se entregaram as drogas, alcoolismo, prostituição, e que em muitos casos vivem nas ruas ou são usuários de benefícios eventuais e de programas de transferência de renda ofertados pela política pública de assistência social, e que enquanto estratégia de sobrevivência recorrem a criminalidade para buscar seu “lugar no céu”. Público chamado de “lumpemproletariado”, como dizia o velho Marx (2023). Corresponde a uma massa populacional excluída, marginalizada, “descamisada” e à mercê da caridade alheia, subjugada pelo Estado burguês neoliberal neofascista, e sobretudo, pelo modo de produção capitalista, que atua pelo massacre deste público. Devemos pensar a sociedade, as pessoas e o mundo de forma material, histórica e dialética, onde a natureza das coisas perfazem a vida de todos numa só cadeia produtiva. Temos que raciocinar que quanto mais luta de classes, mais-valia e exploração do homem pelo homem, teremos mais desemprego, mais pobreza, mais exclusão, mais marginalização, mais violência e mais criminalidade, e a resolução desses problemas deve partir de nós enquanto seres humanos que pensam um mundo melhor para todos. Precisamos “cair na real” que não vivemos sozinhos e que existe uma interdependência entre as pessoas, precisamos do trabalhador que recolhe o lixo, do trabalhador que constrói o chão que pisamos, a casa que moramos, a UBS e o hospital que necessitamos, a tubulação do esgoto, do trabalhador que faz nossa roupa, do trabalhador que cria a vacina para nossa sobrevivência, do trabalhador que ensina, do trabalhador que produz o alimento, do que verifica a qualidade do ar, da terra, da água, do trabalhador que atua na linha de frente ao atender o público vulnerável, daquele que constrói as máquinas, entre tantos outros trabalhadores que enquanto forças produtivas movimentam esse sistema e essa cadeia de relações sociais. Temos, atualmente, cerca de dois milhões de empregos disponíveis no Brasil. Neste sentido, a questão que se apresenta é: como fechar essa conta!? Se temos cerca de doze milhões de desempregados e desalentados, e cerca de dois milhões de empregos disponíveis, não precisa ser gênio em matemática para descobrir que vai sobrar cerca de dez milhões de pessoas em idade ativa para o trabalho, isso sem contar crianças, idosos e pessoas incapazes de trabalhar por algum motivo de saúde, em muitos casos compondo essas famílias em situação de risco, vulnerabilidade social, pobreza e extrema pobreza. Ou seja, como podemos resolver esse desemprego crônico presente e inerente ao modo de produção capitalista? Uma das ideias que surgem se define por meio da redução de carga horária de trabalho de 44 horas semanais para 20 horas semanais, correspondendo a uma das opções mais saudáveis neste momento, automaticamente gerando mais postos de trabalho para essa massa de pessoas, proporcionando renda e dignidade para milhares de cidadãos e suas famílias. É essencial ofertar a qualificação desse público, e no tempo restante, o necessário cuidado com a saúde, através de alimentação saudável, atividade física e momentos de lazer. Essa questão é latente no Brasil e até no mundo, e devemos repensar nossa atual forma de sobrevivência com resquícios arcaicos acerca das relações sociais que se estabelecem há séculos no planeta. Precisamos modificar esse sistema predatório e excludente das relações de produção. Caso contrário, continuaremos na barbárie, no caos, na ausência de democracia e justiça social, com mais doenças, mais pandemia, mais COVID, mais dengue, mais calor, mais frio, mais mudança climática, mais destruição do Planeta Terra finito, mais guerras, mais matança, mais sangue escorrendo, mais CPF cancelado, entre outras nuances prejudiciais possíveis de acontecer. E não é Jesus que vai nos salvar, a humanidade o aguarda para abrir o céu há mais de dois mil anos, e a religião serve para você acreditar nessa falácia e permanecer inerte e acomodado, enquanto seu patrão lucra com seu suor. Essa estratégia é crucial para a manutenção deste desigual e injusto sistema, onde a indulgência cumpre perfeitamente essa tarefa. Os produtores devem estar livremente associados em busca da melhoria das condições de vida das oito bilhões de pessoas no mundo. E por fim, o modo de produção capitalista deve ser colocado num museu, conforme dizia o velho Engels (2022).

 

REFERÊNCIAS

 

BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CF/1988). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em 22 março 2024.

BRASIL. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Disponível em: https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php. Acesso em 22 março 2024.

ENGELS. F. Do socialismo utópico ao socialismo científico. Edipro, 2022.

MARX. K. O Capital. Camelot Editora, 2023.

 

 

 

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